A abertura de novos caminhos para a proteção e a distribuição de seguros pode colocar o corretor diante de um mercado maior, mais competitivo e com oportunidades ainda pouco exploradas. Esse foi o tom da última plenária do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizada neste sábado (29), que discutiu os novos mercados de Proteção Patrimonial Mutualista (PPM) e cooperativas de seguros.
Mediado por Marcelo Augusto Camacho Rocha, assessor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), o painel contou com a participação de Carlos Queiroz, diretor da Susep, Hugo de Castro Andrade, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), e Marco Antonio Gonçalves, presidente do Fórum Mário Petrelli e conselheiro da MAG.
Na abertura da discussão, Carlos Queiroz apresentou o processo de regulamentação dos novos modelos e destacou que o Brasil ainda estava atrasado em relação a outras economias na utilização de estruturas cooperativas e mutualistas. Segundo o diretor da Susep, mais de um quarto dos seguros vendidos no mundo são comercializados por cooperativas ou por meio de modelos mutualistas. “O Brasil estava atrasado”, afirmou.
Para Queiroz, a chegada desses novos mercados também exigirá uma atuação mais preparada dos corretores. O profissional, segundo ele, precisará conhecer as diferenças entre os modelos para orientar adequadamente seus clientes. “Vai ser muito importante para o corretor de seguros também na sua atuação saber diferenciar uma coisa da outra”, destacou.
O diretor da Susep também explicou que a regulamentação busca ampliar o acesso da população à proteção, ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos de segurança para os consumidores. A expectativa é que a expansão dos novos modelos contribua para reduzir o chamado gap de proteção no país.
Outro ponto destacado por Queiroz foi o estágio atual da regulamentação. De acordo com ele, após a publicação das resoluções CNSP 491, que disciplina a Proteção Patrimonial Mutualista, e CNSP 492, voltada às cooperativas de seguros, a Susep entrou em uma nova fase de análise dos projetos interessados em atuar nesses mercados.
Na avaliação de Marco Antonio Gonçalves, a regulamentação representa uma oportunidade para corrigir lacunas históricas de proteção e ampliar a presença do seguro em segmentos que ainda possuem baixa cobertura. Ao relembrar a origem das associações de proteção veicular, o executivo afirmou que elas surgiram justamente diante de uma insuficiência do mercado tradicional. “As APVs nasceram por uma ineficiência do mercado segurador”, explicou.
Gonçalves também colocou o corretor no centro da nova dinâmica que começa a se desenhar. Para ele, a possibilidade de trabalhar com produtos de seguradoras, cooperativas e estruturas de proteção patrimonial mutualista amplia o poder de atuação desses profissionais. “O corretor passa a ser a pessoa central na decisão de negócios. Se ele já era importante, ele passa a ser fundamental nesse processo”, afirmou.
O executivo defendeu ainda que a entrada dos novos modelos pode estimular a concorrência e levar as seguradoras tradicionais a acelerar o desenvolvimento de produtos e serviços. Na sua avaliação, a maior oferta também pode ajudar a alcançar consumidores que atualmente estão fora do mercado de seguros.
Gonçalves citou como exemplo o seguro rural, que, segundo os dados apresentados durante o painel, ainda possui baixa penetração no país. Para ele, a presença das cooperativas pode ajudar a ampliar significativamente essa cobertura, aproveitando a capilaridade do sistema cooperativista.
O executivo também reforçou que o cenário exigirá preparação por parte dos corretores. “Não percam tempo, se preparem”, disse, ao destacar as oportunidades que podem surgir com a entrada de novos players e produtos.
A discussão também apontou para a necessidade de ampliar a proteção da sociedade brasileira. Para Gonçalves, a combinação entre novos modelos de distribuição, maior concorrência e participação mais ativa dos corretores pode ajudar o setor a alcançar públicos que permanecem desassistidos.
Ao encerrar o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, a plenária deixou como principal mensagem a perspectiva de um mercado mais diversificado, no qual o corretor terá de acompanhar as mudanças regulatórias, compreender os diferentes modelos de proteção e estar preparado para aproveitar novas oportunidades de negócios.
Fonte: Portal CQCS































