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quarta-feira, julho 15, 2026 11:34
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Operadoras testam auditoria clínica em tempo real para conter custos

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Modelo preventivo aplicado durante a internação hospitalar é associado à estimativa de R$ 41 milhões em desperdícios financeiros evitados e reflete mudança na gestão da saúde suplementar no Brasil
A pressão sobre os custos da saúde suplementar tem levado operadoras a testar novas formas de gestão assistencial dentro dos hospitais. Mesmo com melhora recente nos resultados financeiros do setor, cerca de 81,1% das receitas das operadoras médico-hospitalares ainda são consumidas por despesas assistenciais, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), indicador que mantém a sustentabilidade econômica como uma das principais preocupações das empresas.
Nesse cenário, modelos de auditoria clínica em tempo real começam a ganhar espaço. Em uma carteira com cerca de 500 mil beneficiários, estima-se que a adoção de acompanhamento técnico durante a internação, em substituição à auditoria retrospectiva, evitou R$ 40,4 milhões em despesas assistenciais entre janeiro e novembro de 2025.
Luiz Perez
Segundo o coordenador-geral do Planserv, Luiz Perez, o modelo fortalece a gestão assistencial ao permitir intervenções durante a internação, quando ainda é possível ajustar condutas e otimizar recursos. “Acompanhamos os casos de forma mais próxima e qualificada, conciliando eficiência na gestão dos recursos com a garantia de um cuidado adequado aos beneficiários”, destaca.
A lógica rompe com a auditoria retrospectiva tradicional. Equipes multidisciplinares acompanham o paciente no leito, analisam prontuários e discutem tecnicamente com as equipes assistenciais a necessidade de permanência hospitalar, uso de UTI e adequação dos recursos ao quadro clínico.
Segundo Larissa Guerra, coordenadora executiva do Planserv, a iniciativa reforça uma mudança de paradigma na gestão da saúde. “Mais do que analisar custos, passamos a acompanhar o cuidado em tempo real. Essa proximidade permite apoiar decisões assistenciais e reduzir permanências desnecessárias”, afirma.
A iniciativa foi implementada pela healthtech Maida Health e ocorre em meio a mudanças estruturais no perfil de gastos do setor. Dados da ANS mostram que os planos de saúde realizaram 1,94 bilhão de procedimentos em 2024, com crescimento contínuo da produção assistencial e aumento relevante das despesas com medicamentos e terapias mais complexas, que passaram a representar 10,2% dos custos médico-hospitalares, ou seja, avanço de 40% desde 2019.
Além do aumento do volume assistencial, o encarecimento das internações também pressiona o sistema. Levantamento da ANS aponta que as despesas médias com internações cresceram 26,8% desde 2019, refletindo maior complexidade clínica e incorporação de novas tecnologias.
Para o CEO da Maida Health, André Machado, a auditoria clínica tende a migrar de um papel fiscalizador para uma função de gestão de qualidade e segurança do paciente. “Quando a análise ocorre durante a internação, é possível ajustar rotas antes que custos desnecessários se consolidem”, afirma.
Segundo Acácia Gabriela Mesquita, coordenadora de Auditoria da empresa, parte relevante das economias está associada à revisão técnica de permanências hospitalares prolongadas e cobranças inconsistentes. O acompanhamento ocorre a cada 48 horas em UTIs e em até três dias nas demais unidades hospitalares.
Especialistas avaliam que o avanço desse tipo de modelo acompanha uma mudança mais ampla na lógica da saúde suplementar, que hoje atende mais de 53 milhões de beneficiários e enfrenta inflação médica persistente, judicialização e envelhecimento da carteira.
Ao integrar auditoria clínica à rotina hospitalar, o modelo sinaliza uma transição gradual: menos foco na contestação financeira posterior e maior presença técnica durante a jornada assistencial, com uso crescente de dados e inteligência artificial na regulação do cuidado.
FONTE: Maida Health

Fonte: Revista Cobertura

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