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Microsseguro busca reduzir o enorme gap de proteção e aproximar seguros de novos públicos

Microsseguro busca reduzir o enorme gap de proteção e aproximar seguros de novos públicos Notícias,Mapfre,MAG Seguros,Favela Seguros

Embora o mercado de seguros esteja em expansão no Brasil, uma parcela significativa da população ainda não conta com nenhum tipo de proteção. De acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), aproximadamente apenas 17% dos adultos têm seguro de vida e 30% da frota de automóveis conta com proteção. Nesse cenário, o microsseguro surge como uma alternativa para ampliar o acesso ao seguro, ao oferecer coberturas mais simples, adequadas às necessidades de diferentes públicos e com valores mais acessíveis.
Andrea Nogueira Soares, diretora de Seguros Massificados da Mapfre Brasil, detalha que os microsseguros desempenham um papel social e econômico fundamental ao atuar como porta de entrada para a inclusão financeira de populações que historicamente estiveram à margem do mercado de seguros tradicional. “Ao oferecer proteção financeira simplificada e de baixo custo, a companhia ajuda a mitigar o impacto de imprevistos cotidianos que poderiam desestruturar o orçamento de famílias de menor renda, promovendo estabilidade e resiliência social”, destaca.
Na Mapfre, o principal destaque do portfólio é o Microsseguro Residencial Mapfre, desenvolvido especificamente para proteger tanto a estrutura física quanto o conteúdo das residências de forma acessível. “O limite de indenização é definido no bilhete de seguro conforme o plano contratado e os valores escolhidos pelo cliente no momento da contratação. Atualmente, estamos comercializando planos com limites de até R$ 80 mil para as coberturas de incêndio, queda de raio e explosão”, informa.
A solução não tem aplicação de franquia ou carência em suas coberturas, consideradas essenciais para o dia a dia do morador. Entre elas, estão incêndio; queda de raio; explosão; roubo ou furto; danos elétricos; vendaval; e responsabilidade civil familiar. “Além disso, os planos trazem um robusto pacote de assistências agregadas, desde serviços emergenciais para a residência (chaveiro, eletricista, encanador, vidraceiro, limpeza emergencial e vigia) até socorro mecânico e elétrico para carro ou moto (reboque, troca de pneus e pane seca), help desk e descarte ecológico de móveis e eletrodomésticos”, completa Andrea.
O relatório “Landscape of Microinsurance 2024 (Panorama do Microsseguro 2024)”, divulgado pelo site “Microinsurance Network”, revela que o número de pessoas cobertas pelos microsseguros aumentou 70% nos três anos antes de 2024, atingindo 344 milhões em 37 países de três regiões.
Para Sidemar Spricigo, presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da FenSeg, esse avanço reflete a combinação de alguns fatores importantes: a oferta de produtos de baixa complexidade, com coberturas essenciais, valores acessíveis e contratação simplificada; a ampliação da distribuição por canais de grande capilaridade, como o varejo; a evolução regulatória, que favoreceu modelos mais aderentes a esse segmento; e o uso de tecnologia para ganho de escala e eficiência operacional. “Soma-se a isso uma percepção cada vez maior da população sobre a necessidade de proteção financeira diante de riscos cotidianos, o que contribui para ampliar o alcance desse tipo de solução”, explica.
De acordo com o executivo, o microsseguro tem contribuído para ampliar a proteção financeira das populações de menor renda, ao oferecer soluções mais acessíveis, simples de contratar e desenhadas para atender necessidades básicas de proteção patrimonial e pessoal. “Em muitos casos, ele representa a porta de entrada para a cultura do seguro, funcionando como uma primeira camada de proteção contra eventos que podem comprometer significativamente o orçamento familiar”, afirma.
Em concordância com Spricigo, Ronaldo Gama, head da Favela Seguros, assinala que o principal propósito é gerar inclusão. “Por isso, 100% dos clientes tem como cobertura básica o Serviço de Assistência Funeral, sendo que aproximadamente 75% das nossas contratações contemplam também a cobertura por morte e serviços adicionais, mostrando a relevância das soluções voltadas à proteção familiar”, informa.
“Esse comportamento também reforça uma preocupação crescente dos consumidores com o futuro e o bem-estar de quem está ao seu redor. Além da proteção financeira, benefícios utilizados em vida, como a Telemedicina 24 horas, agregam valor à experiência do segurado”, completa.
Segundo Gama, isso mostra que o consumidor busca soluções acessíveis, práticas e que façam parte da sua rotina. “Mais do que proteger diante de imprevistos, o microsseguro vem se consolidando como uma ferramenta de inclusão, cuidado e assistência no dia a dia”, pontua.
Raquel Miranda, também da Favela Seguros, ressalta que o microsseguro é uma proteção sem muita burocracia que ajuda as pessoas de baixa renda a terem acesso à proteção. Para ela, o produto é importante para quem mora em comunidade e não tem acesso e renda para acessar um seguro tradicional. “[O microsseguro é] segurança, proteção financeira e alívio no momento mais difícil da sua vida”, diz.
Em 2025, a Mapfre registrou um expressivo crescimento de 22% das vendas do produto, especialmente pela abordagem mais simples e focada em utilidade real. Andrea Nogueira acredita que o microsseguro bem-sucedido não deve focar em altos patrimônios, mas, sim, na proteção funcional e em soluções práticas para o cotidiano do segurado. “Identificamos que o consumidor de baixa renda valoriza a tangibilidade do produto. Por essa razão, a inclusão de serviços de assistência prática imediata (como serviços residenciais e automotivos) e benefícios financeiros extras, como os sorteios de capitalização, tornam o produto muito mais atrativo”, enfatiza ela.
Para o mercado brasileiro, o microsseguro representa uma oportunidade concreta de expansão. Sidemar Spricigo compartilha que a solução abre espaço para ganho de escala das seguradoras, diversificação de portfólio, inovação em produtos simplificados e uso intensivo de tecnologia, além da ampliação da base de clientes.
Para o head da Favela Seguros, o microsseguro, aliado à educação financeira básica, pode ser uma importante porta de entrada para novos consumidores no mercado. “Ao oferecer soluções acessíveis e voltadas para necessidades do dia a dia, ele ajuda a aproximar o seguro da realidade de diferentes públicos. A partir dessa primeira experiência, é possível construir confiança e apresentar outras soluções de proteção de forma gradual e personalizada. Assim, o consumidor passa a enxergar o seguro não como algo distante, mas como parte do seu planejamento”, afirma.
Nesse processo, o corretor também tem um papel importante. Gama detalha que, antes de mais nada, o profissional é um educador financeiro, levando informações necessárias para quem até então estava à margem do mercado. Além disso, o corretor é também quem ajuda o cliente a identificar quais soluções são adequadas à sua realidade e ao momento de vida, tornando-se um importante agente de inclusão e de transformação da cultura de proteção nas favelas e periferias.
Para Spricigo, os microsseguros podem ser uma alternativa para os corretores ampliarem os próprios negócios. “Surgem oportunidades relevantes em modelos de atuação mais consultivos, com foco em educação securitária, distribuição híbrida e construção de relacionamento com novos públicos”, ressalta.
Apesar do potencial de expansão, o presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da FenSeg relembra que essa disseminação não acontece de forma imediata, porque depende da superação de barreiras estruturais, como conhecimento do produto e percepção de valor. “Mas a experiência internacional mostra que esse é um caminho viável e promissor para ampliar a inclusão securitária no Brasil”, enfatiza Spricigo.
Quanto a isso, Andrea finaliza que a tendência aponta para a criação de ecossistemas de parcerias cada vez mais amplos, associando a venda de seguros a transações do dia a dia, como contas de consumo, cartões de lojas e plataformas de microfinanças. “Produtos que combinem custos extremamente competitivos, contratação ágil em poucos cliques, ausência de burocracias (como franquias) e benefícios tangíveis imediatos (assistências e sorteios) ditarão o ritmo de crescimento do setor nos próximos anos”, conclui.

Fonte: Portal CQCS

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