EXCLUSIVO – A baixa penetração dos seguros no Brasil e a necessidade de levar proteção a públicos ainda pouco atendidos colocam o corretor no centro da expansão do mercado. Essa foi a principal conclusão do painel “A Nova Era da Distribuição de Seguros e o Futuro do Setor”, realizado durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, na manhã desta sexta-feira (28).
Para o presidente da Fenacor e mediador do painel, Armando Vergílio, o corretor precisa estar preparado para acompanhar as transformações na distribuição. “É necessário que o corretor de seguros tenha uma ponte para o futuro”, pontuou.
“Sem seguro não há futuro para a economia brasileira”, declarou, na sequência, o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, ao classificar a falta de proteção como um problema para o desenvolvimento do país. Octaviani citou as enchentes no Rio Grande do Sul e afirmou que as seguradoras responderam rapidamente à tragédia. Apesar disso, o número de indenizações foi limitado pela baixa parcela da população que possuía cobertura.
Na avaliação do superintendente, situações semelhantes no Paraná e em Minas Gerais reforçam a necessidade de reduzir a lacuna securitária. “Sem o corretor de seguros não vamos conseguir. Temos que pensar em conjunto porque esse é um dilema nacional”, disse.
Octaviani também antecipou que uma nova proposta para o aguardado Seguro Catástrofe deve ser lançada na próxima semana, após um longo período de discussão nos grupos de trabalho. A iniciativa tem como objetivo ampliar a proteção diante da nova realidade climática.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, lembrou sobre os recentes dados apresentado em que o setor pagou cerca de R$ 130 bilhões em indenizações no primeiro semestre. Segundo ele, o montante poderia alcançar R$ 500 bilhões caso o Brasil tivesse um nível de proteção compatível com o potencial de sua economia. “Nosso objetivo é pagar mais para termos um mercado maior e mais pujante”, afirmou.
Dyogo também apontou os riscos climáticos e cibernéticos como oportunidades para diversificar os produtos e ampliar o alcance do setor. Outro desafio, segundo ele, é aumentar a presença dos seguros entre as classes C e D. “São pessoas que precisam estar seguras também e têm total desejo de possuir produtos de seguro”, disse.
Saindo do olhar doas autoridades e indo para o lado do segurador, o CEO da Allianz Seguros no Brasil, Eduard Folch Rue, o número de brasileiros sem seguro mostra o tamanho da oportunidade. “Um mercado muito grande é uma oportunidade muito grande”, declarou. Ele defendeu que o setor escute mais os consumidores para entender por que eles ainda não contratam proteção.
O CEO do Grupo HDI, Eduardo Dal Ri, destacou a necessidade de colocar o cliente no centro da estratégia. Segundo ele, mesmo diante do agravamento dos eventos climáticos, seguros como o residencial e empresarial cresceram apenas entre 5% e 6% até junho, indicando que o setor ainda encontra dificuldades para transformar a percepção de risco em contratação.
Já o CEO da Mapfre Brasil, Felipe Nascimento, debateu sobre como a tecnologia pode reduzir a distância entre a necessidade de proteção e a contratação. “A tecnologia não vai substituir o corretor, vai alavancá-lo. Mas o corretor que não dominar e não embarcar nessa transformação ficará para trás”, avaliou.
O vice-presidente Comercial e Produtos Massificados da Tokio Marine, Marcelo Goldman, ressaltou que processos mais rápidos podem aumentar a oferta, mas devem ser acompanhados pela capacitação dos corretores. Para ele, um dos principais desafios continua sendo encantar e manter o cliente.
O presidente da Bradseg, Ney Dias, apresentou números para mostrar o espaço existente para expansão. Segundo os índices citados pelo executivo, a penetração chega a 30% no seguro auto, 17% no residencial, 18% no seguro de vida, 8% na proteção para celulares e 25% na saúde. o executivo também apontou oportunidades em segmentos como seguro pet e Responsabilidade Civil Profissional. “É uma oportunidade que eu vejo nesse gap de proteção, e devemos analisar os números”, disse
Encerrando o painel, o CEO do Grupo Porto, Paulo Kakinoff, afirmou que a presença física e o conhecimento sobre o consumidor continuam sendo diferenciais dos corretores diante de outros canais de distribuição. Para ele, a capacidade de visitar e acompanhar clientes em diferentes regiões do país representa uma proximidade que a inteligência artificial não consegue substituir.
Nicholas Godoy, do Rio de Janeiro
Fonte: Revista Apólice































