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Seguros reforçam protagonismo na transição climática durante II Fórum de Finanças Sustentáveis

Seguros reforçam protagonismo na transição climática durante II Fórum de Finanças Sustentáveis Notícias,SUSEP,CNSEG,Mapfre,FEBRABAN,Anbima

Transformar projetos climáticos em investimentos concretos foi o principal desafio apontado durante o II Fórum de Finanças Sustentáveis, realizado nesta quarta-feira (5), no Cubo Itaú, em São Paulo. Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o encontro integrou a programação da Semana do Clima de São Paulo e reuniu representantes do mercado financeiro, órgãos reguladores, seguradoras e governo para discutir caminhos para acelerar a implementação da agenda climática.
Ao longo do evento, o consenso entre os participantes foi de que o Brasil já avançou na construção de instrumentos regulatórios e financeiros voltados à sustentabilidade. O foco, agora, passa a ser a implementação dessas iniciativas, ampliando sua escala, mobilizando investimentos privados e fortalecendo mecanismos capazes de reduzir os riscos associados à transição climática.

A diretora técnica da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Júlia Lins, afirmou que a aproximação entre seguradoras, bancos e mercado de capitais fortalece a construção de soluções voltadas às finanças sustentáveis e amplia o papel do seguro na agenda climática.
“Esse evento é organizado hoje pela CNseg, Anbima e Febraban. É superimportante para reunir as mentes pensantes do setor financeiro brasileiro e construir soluções regulatórias, de supervisão e de mercado voltadas às finanças sustentáveis. O setor de seguros tem um enorme potencial para ser protagonista nessa discussão.”
Segundo a diretora, o diferencial do mercado de seguros está na capacidade de prevenir riscos e contribuir para reduzir os impactos dos eventos climáticos, que vêm se tornando cada vez mais frequentes e severos.
“O setor pode auxiliar empresas na prevenção de riscos e também na mitigação dos efeitos de eventos catastróficos e climáticos. O ideal é termos um mercado cada vez mais consciente e engajado para que pessoas, empresas, municípios e o Estado brasileiro tenham a proteção necessária diante de eventos cada vez mais frequentes e severos.”
A necessidade de transformar iniciativas já existentes em ações concretas também foi um dos principais temas do encontro. Para o diretor da Anbima e coordenador da Rede pelo Clima, Cacá Takahashi, o momento é de colocar em prática os instrumentos que já foram desenvolvidos para financiar a transição climática.
“Nós falamos muito sobre o caminho da COP30 para a COP31 e o grande tema dessa caminhada é a implementação. Já discutimos aspectos regulatórios, produtos, estruturas de financiamento e soluções. Agora precisamos discutir como implementar tudo isso e executar o que precisa ser feito.”
Segundo Takahashi, mecanismos financeiros como o blended finance têm potencial para ampliar significativamente os investimentos destinados à agenda climática. “Uma das conversas foi sobre o blended finance, que reúne capital catalítico, capital institucional e mecanismos de mitigação de risco para alavancar o investimento privado. É disso que precisamos para ampliar os recursos destinados à transição climática e preservar nossas economias.”
Outro destaque do evento foi o papel da gestão de riscos na adaptação da economia às mudanças climáticas. A diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, ressaltou que a participação do setor de seguros nas discussões sobre finanças sustentáveis ganhou força nos últimos anos graças ao trabalho conjunto com bancos e mercado de capitais.
“Durante muito tempo, o pilar de seguros não era considerado um elemento fundamental para a transição climática. Hoje trabalhamos em conjunto com bancos e mercado de capitais para mostrar como a prevenção e a gestão de riscos são essenciais nesse processo.”, afirmou, Prates. 
A executiva também destacou que o mercado segurador já oferece soluções capazes de ampliar a resiliência da economia brasileira diante dos eventos extremos. “Hoje mais de 80% do mercado oferece cobertura para alagamentos no seguro empresarial e a consciência sobre o risco está aumentando. Na medida em que ampliamos a proteção da economia brasileira, aumentamos também a resiliência do PIB diante dos eventos climáticos.”
Segundo Claudia, além da proteção tradicional, o seguro também contribui para viabilizar projetos ligados à inovação, à transição energética e às novas tecnologias ao integrar diferentes riscos em uma mesma estrutura de financiamento, tornando esses investimentos mais atrativos para o mercado.

O potencial do seguro para impulsionar novos negócios ligados à economia de baixo carbono também foi abordado pela diretora de Sustentabilidade da MAPFRE, Fátima Lima. Para ela, a transição climática representa uma oportunidade de geração de valor para diversos setores da economia.
“O seguro é um grande habilitador de projetos e de redução de riscos. A transição climática é um enorme vetor de geração de valor, não apenas para o setor de seguros, mas para toda a economia, criando novos clientes, novos mercados e novas oportunidades.”
Como exemplo, a executiva citou iniciativas desenvolvidas pela companhia voltadas à preservação ambiental e ao mercado de carbono. “A MAPFRE identificou que a floresta em pé gera valor e desenvolveu um seguro para projetos de reflorestamento e restauração ambiental. Esse é um exemplo de como o seguro pode acelerar a transição climática e transformar a conservação ambiental em um ativo econômico.”
Além dos debates sobre o papel do seguro, o Fórum discutiu instrumentos financeiros para ampliar o financiamento da transição climática, mecanismos de mitigação de riscos e formas de aproximar governo, reguladores, mercado financeiro e iniciativa privada. A avaliação dos participantes foi de que o País já dispõe de um ambiente regulatório consistente e que o próximo passo é transformar esse arcabouço em projetos escaláveis, capazes de mobilizar investimentos e fortalecer a adaptação da economia brasileira aos riscos climáticos.

Fonte: Portal CQCS

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