Proposta apresentada durante a Feira Seguros para Todos os Bolsos busca transformar a comunidade em referência no desenvolvimento de soluções de proteção financeira voltadas às periferias
Transformar Paraisópolis na primeira favela 100% segurada do Brasil. Esse foi o desafio lançado neste sábado, 12 de setembro, pelo fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, durante a Feira Seguros para Todos os Bolsos. Promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com o G10 Favelas, o evento reuniu quase 400 pessoas na comunidade da Zona Sul de São Paulo.
Representantes do mercado segurador e o G10 após abertura do evento
Com cerca de 21 mil domicílios, Paraisópolis foi apresentada como um território com potencial para funcionar como laboratório para o desenvolvimento de produtos, linguagens e formas de atendimento mais adequadas à realidade das populações de favelas e periferias.
“Quero propor que Paraisópolis se transforme nesse grande laboratório para entender a linguagem, as formas e o jeito de ser de quem vive na favela. Temos uma oportunidade de construir uma iniciativa que possa gerar resultados para todo o Brasil”, provocou Gilson.
Ao aceitar o desafio, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ressaltou que a proposta está alinhada ao objetivo de ampliar o acesso da população à proteção financeira. “Vamos trabalhar para buscar atender a esse desejo, que também é nosso”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa realizada em Paraisópolis integra um trabalho de longo prazo, que deverá alcançar outras regiões do país.
Júlia Normande, com o microfone, ao lado de Dyogo Oliveira e Gilson Rodrigues
A diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Julia Normande, também participou da abertura e defendeu o desenvolvimento de soluções que considerem as características de cada território e sejam compreendidas pela população.
“A gente quer que o seguro chegue para todos, mas que chegue entendendo as comunidades, as pessoas e as situações em que aquele produto pode ser útil”, declarou. Julia também orientou os consumidores a buscar informações claras sobre coberturas, exclusões e condições dos produtos antes da contratação.
Além de defender a ampliação do acesso ao seguro, Gilson chamou a atenção para o patrimônio construído pelos moradores das comunidades, representado por residências, motocicletas utilizadas como instrumentos de trabalho, salões de beleza, restaurantes e outros pequenos negócios. Segundo ele, mais de 20 milhões de brasileiros vivem em favelas e movimentam aproximadamente R$ 300 bilhões. Para o fundador do G10 Favelas, a realização da feira no centro de Paraisópolis contribui para aproximar o setor segurador de uma parcela da população que nem sempre se percebe incluída nesse mercado.
Dyogo destacou que a proteção oferecida pelo seguro pode evitar que famílias e pequenos empreendedores precisem recomeçar depois de incêndios, acidentes, roubos e outros imprevistos.
“Uma das grandes dificuldades enfrentadas pela população de menor renda são as interrupções no seu ciclo de crescimento. A pessoa consegue montar um restaurante ou comprar um veículo para trabalhar, mas um único evento pode levá-la novamente à estaca zero. O seguro pode contribuir para dar continuidade a essa trajetória”, explicou.
O presidente da CNseg também reconheceu que a linguagem utilizada pelo setor ainda representa uma barreira, pois dificulta a compreensão sobre o funcionamento e a utilidade dos produtos. “Precisamos quebrar os muros invisíveis que fazem o seguro parecer algo destinado apenas a quem tem mais dinheiro. Também precisamos falar uma língua que as pessoas entendam”, acrescentou.
Dyogo Oliveira, esq., e Gilson Rodrigues
Empresas apresentam iniciativas em Paraisópolis
A programação reuniu atividades sobre educação financeira, inclusão, emprego e renda, inteligência artificial e proteção patrimonial, com a participação de representantes da Bradesco Seguros, CNP Assurances, Favela Seguros, Azul Seguros e MAPFRE.
O diretor de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da CNP Assurances Latam, Gregoire Saint Gal De Pons, destacou a atuação da companhia no mercado de seguros inclusivos e a importância de associar a oferta dos produtos a ações de educação financeira. A empresa comercializa microsseguros no Brasil desde 2012 e atualmente mantém mais de um milhão de pessoas protegidas por produtos inclusivos.
“Não adianta oferecer o produto sem que a população compreenda a importância de reservar uma parte da renda para contratar a proteção de que precisa”, afirmou.
Para Gê Coelho, doutor em Bioética e líder de Relações Institucionais da Favela Seguros, a feira ajudou a ampliar o diálogo entre o mercado segurador e os territórios periféricos.
“A favela não é apenas um lugar de carências e necessidades. É um território que produz economia, conhecimento e soluções. Se existem casas, carros, motos, negócios e vidas construídas aqui, esse patrimônio também precisa ter acesso à proteção”, disse.
A superintendente de Sustentabilidade da Bradesco Seguros, Ivani Benazzi de Andrade, ressaltou que a presença das empresas na comunidade permitiu compreender mais de perto as necessidades dos moradores.
“A aproximação ajuda a entender o cotidiano das pessoas e o que realmente é importante para elas. Também permite mostrar, de maneira simples, como valores acessíveis podem contribuir para proteger famílias, residências e pequenos patrimônios”, afirmou.
Presente em Paraisópolis, a MAPFRE reforçou a importância de ouvir as demandas das comunidades para transformá-las em soluções de proteção. O superintendente de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil, Ivo Kanashiro, destacou que a presença da seguradora na região faz parte de um trabalho de mais de quatro anos para compreender as demandas das comunidades e transformá-las em soluções de proteção. “Estar próximo das pessoas é fundamental para tornar o seguro mais acessível e cuidar do que realmente importa para elas”, afirmou.
A programação contou ainda com um bate-papo sobre emprego e renda, conduzido pelo superintendente regional de São Paulo da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Rodrigo Matos, além de atração musical e atividades interativas.
Para Dyogo Oliveira, a realização da feira representa o início de uma agenda permanente de aproximação entre o setor segurador e as periferias. “Estamos começando um trabalho de longo prazo. Queremos contribuir para que o seguro faça parte da vida dessas pessoas como instrumento de proteção, estabilidade, emprego, renda e prosperidade”, concluiu.
FONTE: CNseg
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Fonte: Revista Cobertura






























