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Empresas estão menos conscientes sobre a própria reputação

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Pesquisa Reputational Risk Readiness Survey Report – 2026 mostrou que 49% dos entrevistados sabem qual é sua reputação entre os stakeholders. Ataques cibernéticos segue sendo a maior preocupação reputacional
As empresas estão menos conscientes sobre a própria reputação. É isso que mostrou a mais recente edição do Reputational Risk Readiness Survey Report, um dos mais importantes estudos reputacionais do mundo, produzido pela WTW, que traz os principais riscos e impactos às empresas e marcas.
De acordo com o levantamento, o conhecimento sobre a própria reputação apresentou uma queda acentuada. Segundo o levantamento, apenas 49% dos entrevistados disseram saber qual é sua reputação entre os stakeholders, uma queda de 12 pontos percentuais em relação a 2024, quando esse índice era de 61%. Já 41% afirmaram saber quais questões reputacionais importam para os stakeholders, ante 58% em 2024. Somente 37% disseram conhecer os focos de sentimento negativo sobre a marca, uma queda de 19 pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice era de 56%.
A pesquisa também mostrou que ataques cibernéticos seguem sendo o principal risco reputacional para as empresas, com 67% das respostas, um aumento de 2 pontos percentuais se comparado com 2024. Danos sociais, como, por exemplo, exploração trabalhista na cadeia de suprimentos, subiu quatro posições, aparecendo em segundo lugar, com 57% das respostas. Em contrapartida, danos ambientais caiu uma posição, ficando em terceiro lugar, com 54% das respostas.
“A pesquisa mostra claramente que há a ascensão da incerteza”, explica Ana Albuquerque, diretora de Linhas Financeiras da WTW. “As empresas estão precisando lidar com diversos aspectos que antes não eram contemplados e que agora impactam diretamente as suas reputações, como a polarização política, relocalização de cadeias de suprimentos, aceleração do cibercrime por IA, dentre outras, que estão obrigando as companhias a repensarem as formas de proteger sua reputação”, finaliza Ana.
Protegendo a reputação
Apesar do cenário desafiador, a pesquisa também revelou que as empresas seguem tratando a reputação como um risco estratégico de alta prioridade. Segundo o estudo, 82% dos entrevistados colocam os riscos reputacionais entre os três ou cinco principais riscos da empresa. Olhando separadamente, 55% já o consideram entre os cinco primeiros riscos (ante 53% em 2024), enquanto 27% a colocam entre os três primeiros (ante 26% em 2024).
Esse reconhecimento tem se traduzido em mais estrutura, com 46% das companhias ouvidas possuindo processos formais, vinculados a indicadores da alta gestão, para manter o conselho informado sobre riscos reputacionais. Isso representa um salto expressivo frente aos 15% registrados dois anos atrás.
Da mesma forma, a integração da reputação à gestão de riscos corporativos como um todo avançou, com 30% das empresas afirmando ter alcançado um alto grau de integração, contra apenas 16% em 2024.
No campo da comunicação e do reporte, o cenário também está evoluindo, com as empresas intensificando o diálogo com seus públicos de interesse, hoje em média cinco vezes ao ano, e ampliando o uso das redes sociais como canal estratégico de relacionamento e construção de marca.
Na ponta financeira, o tema já é tratado como risco tangível. A pesquisa mostrou que 95% das companhias mantêm orçamento reservado especificamente para lidar com eventos de dano reputacional, enquanto a capacidade de mensurar o impacto financeiro desses episódios quase triplicou, passando de 11% para 31% das empresas nos últimos dois anos.
Contexto brasileiro: o impacto reputacional dos riscos cibernéticos
O protagonismo dos ataques cibernéticos como principal risco reputacional identificado pela pesquisa reflete uma preocupação crescente das empresas com os impactos financeiros e de imagem decorrentes desses eventos. No Brasil, incidentes dessa natureza podem resultar em perda de confiança de clientes, exposição negativa na mídia, aumento da pressão regulatória e redução de oportunidades de negócio.
Segundo relatório da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil alcançou R$ 6,75 milhões em 2024 e R$ 7,19 milhões em 2025. Já estudo conduzido pelo MiTi com apoio da FTI Consulting aponta que as empresas brasileiras ainda apresentam maturidade intermediária em cibersegurança, mantendo exposição relevante a eventos capazes de afetar operações, finanças e reputação corporativa.
PRINCIPAIS NÚMEROS
Conhecimento sobre a própria reputação
49% sabem qual é sua reputação entre os stakeholders (queda de 12 p.p. vs. 61% em 2024)
41% sabem quais questões reputacionais importam para os stakeholders (vs. 58% em 2024)
37% conhecem os focos de sentimento negativo sobre a marca (queda de 19 p.p. vs. 56% em 2024)
Principais riscos reputacionais
Ataques cibernéticos: 1º lugar, 67% das respostas (+2 p.p. vs. 2024)
Danos sociais (ex.: exploração trabalhista): 2º lugar, 57% das respostas (subiu 4 posições)
Danos ambientais: 3º lugar, 54% das respostas (caiu 1 posição)
Priorização estratégica do risco reputacional
82% colocam os riscos reputacionais entre os 3 ou 5 principais riscos da empresa
55% colocam entre os 5 primeiros (vs. 53% em 2024)
27% colocam entre os 3 primeiros (vs. 26% em 2024)
Estrutura e governança
46% têm processos formais, ligados a indicadores da alta gestão, para manter o conselho informado sobre riscos reputacionais (vs. 15% dois anos atrás)
30% alcançaram alto grau de integração da reputação à gestão de riscos corporativos (vs. 16% em 2024)
Comunicação e reporte
Diálogo com públicos de interesse: média de 5 vezes ao ano
Ampliação do uso das redes sociais como canal estratégico de relacionamento e construção de marca
Preparação financeira
95% das companhias mantêm orçamento reservado para eventos de dano reputacional
Capacidade de mensurar impacto financeiro: de 11% para 31% das empresas em dois anos
FONTE: VIRTA

Fonte: Revista Cobertura

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