A integração de dados climáticos, financeiros e de gestão de riscos pode aproximar diferentes setores na construção de respostas aos impactos das mudanças climáticas. A utilização dessas informações para aprimorar produtos de seguros, orientar decisões de crédito e identificar populações mais vulneráveis foi um dos pontos discutidos durante os painéis do World Climate Summit São Paulo, realizado nesta quinta-feira (6).
No mercado de seguros, o avanço dessa agenda pode permitir uma análise mais precisa dos riscos e abrir espaço para soluções personalizadas. A presidente do SindSeg SP e CEO da Porto Seguro, Patrícia Chacon, destacou que os dados são fundamentais para compreender onde os riscos estão concentrados e direcionar ações de proteção.
“Os dados hoje são o principal motor dessa mudança, para a gente entender onde estão os riscos e como mitigar pelas populações mais vulneráveis. Precisamos identificar onde estão as pessoas que ainda não conseguem se recuperar e reconstruir depois de um evento climático”, afirmou.
No agronegócio, a utilização de dados também pode contribuir para diferenciar os riscos entre propriedades e produtores. O presidente da Comissão Rural da FenSeg e gerente executivo de Seguros Rurais da BrasilSeg, Daniel Nascimento, defendeu o uso de informações de manejo, análise de solo e sensoriamento para aprimorar a subscrição.
“É preciso tratar diferente e não igual todo mundo. Não pela média, mas precificar o risco que a seguradora está aceitando. Para isso, precisamos utilizar as informações coletadas por análise de solo e sensoriamento e construir um banco de dados que permita desenvolver novos produtos e serviços”, afirmou.
A integração entre dados de práticas agrícolas e informações financeiras também pode influenciar a avaliação de crédito. O head de ESG Agro do Itaú BBA, João Adrien, relatou que o banco já observa relações entre práticas sustentáveis, produtividade e apetite para concessão de crédito.
“Começamos a perceber que os produtores com plantio de cobertura, com mais tempo de solo coberto, são produtores com maior produtividade. Quando conseguimos colocar isso empiricamente na discussão do time de crédito, o apetite de crédito para esses produtores começou a melhorar”, afirmou.
Para João Adrien, o próximo passo é ampliar o cruzamento de informações para compreender melhor a relação entre práticas de manejo, danos e exposição climática. “Se conseguirmos construir uma base de dados, o uso de manejo sobreposto à nossa base de danos será muito interessante. Podemos começar a fazer essas correlações e, como setor, ter daqui a três ou quatro anos uma base muito importante”, destacou.
A integração de informações também é relevante para a prevenção de eventos extremos. A presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, chamou atenção para a necessidade de transformar sistemas de alerta em mecanismos efetivos de proteção.
“Os alertas chegam, mas não chegam a todos. A gente não tem rotas de fuga, não tem alternativas, e isso complica. Toda construção tem que ser inclusiva, inclusive nas próprias populações”, afirmou.
A atuação coordenada entre setores pode, portanto, ampliar o uso das informações disponíveis para diferentes finalidades. No seguro rural, os dados podem apoiar a precificação e a criação de produtos mais aderentes; no crédito, ajudar a avaliar riscos e condições de financiamento; e na prevenção, permitir que alertas e informações climáticas sejam convertidos em ações concretas.
Fonte: Portal CQCS































