Por Fernando Rodrigues*
A projeção da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização de crescimento de 7,8% na arrecadação do seguro automotivo em 2026 aponta para mais um ano positivo para o setor. Mas existe um movimento anterior à contratação da apólice que também ajuda a entender para onde esse mercado está caminhando: a cotação.
Fernando Rodrigues
Antes de uma proposta se transformar em seguro contratado e aparecer nos números de arrecadação, a intenção do consumidor já começa a se manifestar nas consultas realizadas pelos corretores. Quando observados em escala, esses dados ajudam a identificar mudanças na demanda e na própria composição da frota brasileira.
Uma análise de 11,5 milhões de cotações processadas pelas plataformas Agger e Quiver no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, mostra algumas dessas transformações. As cotações de seguros para automóveis 100% elétricos cresceram 81%, enquanto as de modelos híbridos avançaram 53%. Em 12 meses, a participação dos veículos eletrificados passou de 2,2% para 3,1% do total de negócios cotados nas plataformas.
O movimento também aparece quando analisamos as montadoras. A BYD mais do que dobrou o volume de cotações no período. Já a GWM, que ainda não figurava entre os TOP 10 nas plataformas no primeiro semestre de 2025, alcançou 41 mil negócios cotados entre janeiro e junho deste ano.
Mas os eletrificados contam apenas uma parte dessa história. Os dados de cotação apontam outras duas mudanças relevantes na mobilidade brasileira: as consultas por seguros para motocicletas cresceram 58%, enquanto a procura por proteção para veículos com mais de 20 anos de fabricação triplicou no período.
No caso das motocicletas, o movimento acontece em um momento de expansão desse meio de transporte nas cidades brasileiras, tanto para deslocamentos individuais quanto para atividades relacionadas a entregas e serviços. Já o crescimento das cotações para veículos mais antigos chama atenção para outra transformação: a permanência desses automóveis por mais tempo em circulação e a necessidade de produtos adequados a uma frota cada vez mais diversa.
Esses movimentos mostram por que acompanhar apenas os números consolidados já não é suficiente para compreender um mercado que muda rapidamente. Os dados de cotação não substituem indicadores tradicionais, como arrecadação, vendas ou tamanho da frota. Eles acrescentam uma camada diferente de informação: enquanto esses indicadores mostram a dimensão de movimentos já estabelecidos, as cotações ajudam a identificar para onde a demanda começa a se deslocar.
Para seguradoras e corretores, enxergar essas mudanças mais cedo pode fazer diferença. Novos tipos de veículos, novas marcas e novos comportamentos de mobilidade exigem ajustes em modelos de risco, coberturas, preços e serviços. Quanto antes esses sinais forem identificados, maior a capacidade do setor de responder às novas necessidades dos consumidores.
Em um mercado em transformação, esperar que uma tendência apareça nos números consolidados pode significar reagir quando ela já ganhou escala. A próxima grande mudança do seguro auto talvez não apareça primeiro em um balanço. Ela pode já estar acontecendo, todos os dias, nas cotações realizadas em todo o país.
Fernando Rodrigues é Diretor de Seguros da Agger e Quiver na Evertec.
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Fonte: Revista Cobertura






























